domingo, 18 de setembro de 2011

Alívio em gotas


Amar chuva é amar ao alívio

Amor a um doce delírio que desce em pingos.
Convida-te a pensar na vida, na morte,
Sobre tudo, talvez no nada
Com seu cheiro melancolicamente doce de terra molhada.

Tem cheiro de desejo de regressar às tardes de infância primaveris
Que me incita a esses pensamentos desenfreados
Agora quase infantis.
Nesse instante sei, não estou mais com os nervos à flor da pele.
E sim com a vida a flor da mesma.

Mas acredito agora que não sejam mais flores.
Serão espinhos? Ah com certeza, espinhos sim.
Aos montes, às toneladas
Aos poucos maltrata
Esperando só para sangrar as esperanças restantes desse cansaço.

O céu e a alma escurecem
Vem a chuva, e junto com ela a vontade de se libertar, sabe-se lá de quê!
Quebrar as grades, derrubar portas, romper as algemas e tudo mais que prenda.
Deixar que seus pingos desçam pelo corpo como se fosse a última chuva
Que os desertos agora merecem.


(Michelle Saimon)