sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Fluxo de idéias descontroladamente desconexas


Há dias em que as palavras escapolem, não podendo controlar. Elas simplesmente descem em um fluxo incontrolável de realidade misturada com emoções.  É que o subconsciente escandaliza as portas do entendimento, o que de nada adianta; continuo muda num monólogo perturbador e o prazer do desabafo por uma escrita.
       São como emoções assim, descabidas, desenxabidas, desesperadas, a procura de uma forma de se comunicar...
Palavras de uma intolerável revolta pelo que não existe.  É que são assim, de uma serenidade angustiosa, misturada a uma turbulenta indignação formada por paz.
Palavras assim, desconexas, irremediavelmente confusas, só gritam, sem nada dizer. Já não sei fazer nada a não ser sentir profundamente o que não se devia de maneira nenhuma ser sentido.
Tenho nos meus sentidos o alerta de que sentir às vezes torna-se algo tão perigoso, quanto o gesto de apenas deixar de sentir. Como se não bastasse o perigo de viver, ainda agora me aparece o perigo que é o sentir.
Então esqueço agora o sentir, esqueço agora o que é viver. Vou apenas escrever minhas palavras desconexas. Mas, ora essa! Escrever já não é um gesto de sentir e viver? Não sei, prefiro nem pensar nisso. Vou apenas deixar que inunde todo o meu ser com fluxo de idéias descontroladamente desconexas.
(Michelle Saimon)