segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Mente insone


Não havia motivo para que fosse assim tão inconstante. Todos os dias ao deitar a cabeça no travesseiro uma nova torrente de pensamentos adentravam no quarto. Não era, tampouco, de se admirar ou arregalar os olhos com o maquinário diário das ilusões.
Acostumada estava com a rotina noturna da insônia. Febrilmente insone. Debilmente balançada por devaneios indomáveis. Mas porque tiravam tanto assim seu sono? Enquanto suava frio, a mente ainda cheia de adrenalina. Revirava-se, procurava soluções que levassem à calma e nada. Não era por nenhum barulho – a casa toda dormia, o que impedia seu descanso era a cabeça cheia de inquietações rotineiras.
Aceitava que a mente humana é uma companheira altamente traiçoeira.  Ela te dá um tapete voador para que você possa sentir-se livre, ilimitado. Enquanto a noite passa, você conhece mundos antes inimagináveis, vontades antigas se realizam. Alguns te tiram o sono: altamente cruéis em mostrar nossos piores medos...
Mas basta que qualquer interferência venha do “mundo exterior”, para que essa mente venha a puxar-lhe o tapete. Pronto, pouso forçado na monótona vida terrena. Havia tempo que estava apenas conectada ao real, acordada podia ver uma pequena flor violeta desabrochando perto da janela. Era como se fosse ontem, então chovia promessas.
Talvez algum dia confessaria que havia feito milhões de tentativas apenas por continuar sem tentar. Por enquanto só queria tomar um café amargo por que a mesma velha rotina não iria tardar.

Michelle Saimon