segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sonhar ou não sonhar, eis a questão


Alguns dias bastam tocar na vida que ela se dói. Dói-se e dói n’agente também.

Acabamos vendo o contrário do que queríamos que acontecesse. Perguntamo-nos por que não aconteceu do jeito que a gente queria, com sabor e leveza de vento num fim de tarde daquele mesmo jeito que se sonhava. Talvez seja porque a vida, aquela de verdade mesmo, não tem nenhuma noção do que é dormir: ela ruge, grita, corre, transborda, se espedaça e se auto-arruma...! Simplesmente não sobra tempo e talvez por isso não sonhe. Mas sabe, é a Vida real como próprio nome já diz. É real demais. Mas se for não quer dizer que não se possa sonhar. 
O único empecilho é que o real vai exigindo uma série de coisas, obrigações, paciência, pessoas... Talvez até por isso o verbo sonhar seja o mais preferível e entendo por que: Ele é mais compreensível e mais alegre por mais maluco que ele seja. Talvez porque o sonho é um conforto de mentira e isso implica em várias situações que no fim quando não te ajudam, o máximo que eles podem fazer é colocar o pé na frente quando você estiver passando para que você tropece e finalmente dê de cara no chão.
Mas que graça teria se não pudéssemos sonhar? A realidade é dura como pedra. Em sua frieza de gelo, congela os neurônios e não dá para pensar com tanta lucidez assim. Então sonhemos acordados, andando, sentados, dormindo, de pé. Na rua, no parque, na cama, na casa, no coração, na alma ou apenas nos olhos.
Sonhemos porque não há nenhum remédio que possa por um momento mascarar o peso de existir. Não há remédio mais eficiente do que sonhar. Pode ser um sonho impossível - o que geralmente sempre é. Desgarrado, amedrontado, embelezado de desejos, perfeito como ele mesmo.
Sonhemos porque o impossível é a perfeição do existir.


Michelle Saimon