segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Num deserto imaginário cabe tudo...

Me fala logo porque o céu é assim azul! Você não me explicou ainda porque a água molha e o vento balança teus cabelos. Quantos grãozinhos assim pequeninos e coloridos de areia cobrem este chão? Como o coração funciona? Porque eu não posso escolher se quero nascer ou não? Hey, mundo escute-me!
Devia ser esse sol, escaldante como ele só. Queria água, comida, atenção. Encontrava-se num deserto imaginário, este é o pior de todos. Havia miragens belíssimas de confidências consigo mesmo. Era segredo, nunca ousou falar isso para as paredes.  Elas nunca entenderiam, eram duras, opacas e brancas demais, o que as deixava muito menos confiáveis.
Olhou para os lados sem saber o que acontecia, era estranho e por dentro se remoia por nada entender direito.  Foi então que por estar num deserto imaginário sentiu-se livre e gritou: Eu tenho todas as dúvidas do mundo! Entusiasmado com sua descoberta sentiu-se bem por saber de alguma coisa.
Descobertas assim tem um ar de incredulidade, sentou no chão e apanhou uma pequena concha. Há que duvide que houvessem conchas num deserto, mas o que você não sabe é que num deserto imaginário cabe tudo... Segurou a pequenina concha marfim entre os dedos sentindo os restinhos de areia caindo da mão, soube que era uma sensação incrível. Ele sentiu. Era inacreditável ter aquela conchinha entre as mãos, ficou contente por ter algo que lhe entendesse e ouvisse. Todas as outras coisas do mundo eram surdas.