quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Não há porque ter razão

Torturava-me dizendo que eu tinha que encontrar uma razão. Mas sabe, eu não queria, não mesmo! Cansa sabe? A razão na verdade não tem razão nenhuma. É mentirosa, uma completa louca desvairada e ainda por cima acha que tem razão. Ora essa! Mesmo assim me disseram que eu não podia argumentar por que eu não tinha uma maldita razão.
São essas coisas que me deixam nervosa, impaciente. Enquanto falava de coisas tolas eu batia o pé no chão paranoicamente limpo. Mas que orgulho tinha daquele chão! Mas eu não, eu gostava mesmo era daquele vento anterior a tempestade que soprava lá fora e trazia folhas secas através a janela sujando aquele alvo chão. Sim, era desse que eu gostava, aquele vento que trazia uma paz para minhas inquietas questões sem razão nenhuma. Não precisava.
Me sentia bem, mas uma ordem fez questão de tirar meus pensamentos de suas estranhas órbitas. Fecha essa janela! Essas malditas folhas secas estão acabando com a minha ordem. Dizia enraivecida a voz. Eu tinha paciência, aguentava. Eu gostava da janela e do seu vento, de suas folhas e sua sujeira. Dei alguns passos para frente e no meio do caminho parei decidida a não obedecer a voz, mas esta continuava gritando suas coisas chatas de estraga-prazer. O que eu podia fazer? Aquilo já estava esfarelando minha calma aos pouquinhos. Doía pra caramba, a janela era a minha liberdade, meu único contato com o que as pessoas costumam chamar de mundo. Decidi, continuei andando e fechei a janela, até porque já que eu não tinha nenhuma razão, era imaginadamente obrigada a obedecer que achava que tinha.
Sem dar tempo ao descontrole abri a porta e praticamente me joguei sentada naquela varanda forrada com folhas, lá eu podia me refugiar, sentir o vento. Peguei um graveto e comecei a desenhar utopias na terra. Eu me sentia bem apesar de tudo, mas como eu não tinha razão ninguém entendia como isso era possível.