quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

"Mas hoje não, me trancarei nos abismos de mim"

Agora irei falar de detalhes esquecidos, fatos dormidos numa ordem sem organização. Irei falar de casos contidos, meros caprichos que a vida vive levando. Mas agora, estou cronologicamente desnorteada.
Falarei de casos antigos, como no dia em que o mundo girava em órbitas esquisitas e despreocupadas, sussurrarei em ouvidos secretos o segredo de se ter um. Dormirei ao relento e falarei que fez frio, tinha insetos ao meu redor e direi que foi bom. Você não sabe mas cada estrela me contou um segredinho do universo, eu me assombrei, quem sabe te conte.
Um dia. Falarei de casos de gente de verdade. Eles me contaram como é que se era feliz. Naquele tempo eram.  Falarei sem pudor como é sorrir para estranhos que fazem caretas e depois esquecerão que encontrava na rua alguém que beirava a loucura e lhes sorriu.  
Descobrirei casos confusos que eu lhe contarei feliz. Vem vem ouvir o que tenho a lhe dizer! Eu chegaria assim, aos pulos e passos apressados de gente que ainda quer saber muito mais. Um dia eu meterei meu nariz onde não fui chamada e terei uma conversinha com os deuses perguntando o porque de tanta miséria. Sei que me responderão sérios enquanto me acalentam com mãos protetoras que só o divinamente inexplicável poder ter.
Ainda pularei num lago sem saber nadar, a água será congelante e funda, mas os peixes me ensinarão a respirar. Eu serei a pessoa mais feliz do mundo, e eu te contarei o segredo. Um dia, porém, pararei de devanear utopias e desenhar nuvens na terra.  Um dia eu descobrirei como parar de sonhar coisas sem sentido e eu te contarei como, mas nesse dia eu iria com um sorriso descontente lamentar em seu colo. Um dia talvez eu consiga escrever linhas compreensíveis, e todos entenderemos. Um dia talvez... Mas hoje não, me trancarei nos abismos de mim.