sábado, 24 de março de 2012

Uma Vida Sem Telhados

Tão disperso e esplendoroso era o campo no qual colhia suas pequenas ambições pueris. Havia  a sua disposição, um horizonte infinito de colheitas quase sempre mal sucedidas, estas seriam pra sempre suas perseguidoras. Nunca se imaginara de outra forma,a seguir novos conceitos e ultrapassar os limites de sua imensidão. Nunca havia percebido, mas ele todo era cheio de uma forma ilimitadamente poderosa de sentir.
Em qualquer pingo de tinta enxergava arte, um prego enferrujado se transformava em novas idéias construídas instantaneamente. Em sua mente observava mil possibilidades que não eram possíveis de se tentar. Mas ele todo era como uma fonte límpida de água doce num deserto.
Ele tinha todas as sedes possíveis e criava novas outras só para ocupar sua existência tão molhada. Um dia acordou subitamente no meio da noite, as corujas piavam e ele viu estrelas. Aquilo era tão fantástico! Nunca havia prestado atenção em estrelas mesmo que sua vida tivesse sempre sido sem telhados. E ele que não queria saber de nada descobriu que a Terra girava. Ah, sua tonta! Ele andava tão tonto que resolveu desligar-se do que dizia, pensava ou descobria e não mais girar junto com a Terra, mas sim em torno de suas próprias órbitas.
Continuava em sua vida sem telhados, mas lá estrelas não havia. Mas, algumas coisas restaram: Seus campos tão negativos ao olhar dos outros que nada entendiam e um céu cheio de indagações e nuvens de uma coisa diferente do algodão. Ele iria desvendar seus mistérios e começaria a fabricar nuvens em seu quintal. Não era impossível, nunca fora. Encheu de um ar renovador os seus pulmões e experimentou sua maravilha de existir e ter mistérios para se resolver. Pela primeira vez havia se reconhecido como um plenamente satisfeito.