domingo, 25 de novembro de 2012

Confetes pela manhã



E aí vem a indagação: pra quê esses resquícios infernais de memória que perfuram essas capas finas que pensávamos nos proteger de qualquer reminiscência futura?  Protegem nada! Só retardam, e às vezes nem isso.
Sei lá de razão, nem muito menos emoção, tudo é apenas uma mistura cheia de falhas agora. Certos sentimentos e pessoas deveriam vir com coisas do tipo “satisfação garantida ou sua vida imaginariamente equilibrada de volta”, assim talvez tivéssemos menos medo de arriscar o conhecido que fazemos questão de brincar de cabra cega só para obter algum tipo mortal de emoção vazia.
Do mais, detesto todas as manhãs. Ou melhor, odeio esse exagero de drama. E que me perdoem todas as manhãs lindas e até as mais nefastas do universo que ofendi com minha frase. Meu ódio talvez advenha de uma das coisas que mais amo nessa vida. Palavras, palavras, palavras... Tão pouco eficientes na arte de comunicar quando o que na maioria das vezes qualquer gesto bobo seria mais do que necessário. Ah, é tudo drama!
Materializando a agonia, escrevo-a em um papel qualquer e depois despedaço. Pronto, cabeça e corpo leves e confetes recém criados para a festa da libertação dos pensamentos escravos. Depois que vir a sensação de liberdade, ria de sua própria infantilidade de quem estava com medo dos monstros embaixo da cama e finalmente descobre que era tudo invenção. Confetes meu amor, confetes!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Inquietude



A pia já andava pingando mais demências que minha sanidade. E eu, eu não precisava escutar mais um monte de issos e aquilos, não suportava mais adentrar em sonhos loucos, não suportava de tal modo que sempre repetia as doses.
E essa música alta que já nem ouço mais? Danço o silêncio meu bem. Promovo bailes de melancolia no escuro oscilante de minha própria perturbação. Rodopiando, oscilando sem nem saber por que nem pra quê, mas afinal acho que nem importa agora. E é que finalmente redescobri que já nem sei o que quero.
Outra vez.