sábado, 8 de dezembro de 2012

Desejo de borboleta



Queria tanto poder falar o que sinto, mas o que sinto é um sentimento egoísta. Um ser repulsivo que produz um enorme incômodo toda vez que paro para pensar em algo, que sufoca na garganta, que congela a ponta dos dedos e me faz querer correr por aí, mas a partir do momento que tento, vejo que minhas pernas de repente perderam essa função.
É sempre estranho parar e pensar, apenas isso. Perguntar a si mesmo o que fazer. Oi sombra de mim, você fica ou corre? Ou mato ou morro, eu preferi matar, mas sempre que conseguia tal feito não tinha jeito, morria um pouco. Quem via? Eu via. Será mesmo? Queria um pouco menos de perguntas e mais respostas úteis. Quão tola sou! Quem nesse planeta não queria? Caramba!
Queria ser uma borboleta daquelas que tem a sorte de nunca ser pega pela asa. Será que existem borboletas com vontade de serem seres humanos também? Quanta bobagem! Estas devem ser muito tolas, se bem que eu nunca fui borboleta pra saber se realmente me aprazeria ser uma. Mas imagino que sim.  Nasci ser humana, pelo menos assim disseram que seria eu a vida toda. Ah, é que quando minha cabeça resolve brincar de borboleta é mágico, mas também é o inferno dos infernos.