sábado, 30 de novembro de 2013

Mergulho


Sentado entre as pedras, escondido, talvez de si mesmo, por entre as pedras.  A mão ia apoiada no queixo fino e com uma barba que ia despontando por entre o rosto meio rústico, meio que de sonhador que não sabe que sonha. Os olhos iam voando entre o horizonte enevoado da manhã. Mais desorientados que morcegos que se atrevem a voar durante o dia.
Era visto quase sempre assim: recolhido em sua própria concha, escondendo sua pérola ser, alheio a grande parte do mundo. Pelo menos aparentemente. Talvez estivesse apenas a filosofar seus poucos passos e o frenético sem explicação das outras pessoas. Gente que sentia-se tal qual os morcegos durante o dia. Só não haviam percebido ainda. É que faz parte da natureza humana viver sempre em noite sem lua, em que quase nada se enxerga.
A visão era limitada por mais que inventassem seus óculos e instrumentos com lentes de aumento. Mas é que a maioria dos homens apenas sabem ver com os dois olhos da face, e estes são os mais cegos que há! Estes são apenas pequenos lagos. O oceano está no bem mais profundo âmago, com seus movimentos que por vez ou outra te derruba ou te acalma.

Aqueles olhos perdidos do homem acalentado pelas pedras indicava a navegação por entre as tempestades de seu oceano. Já não estava alegre nem triste, São dois extremos redutores demais. Diria que estava absorvido em suas ondas, de sobe e desce, enfrentando a tempestade, ao mesmo tempo que se deliciava com ela. Até que se jogou de seu barco e foi experimentar mais integralmente as delícias e desventuras de seu salgado mar.