sábado, 28 de dezembro de 2013

Bolhas de esquecimento


Se bem me permite, tenho por dentro, como algo que me foi dado de presente em caixa de laços vermelhos e tudo, a firmeza dos deslizes. Destas de levantar os pés bem na pontinha, como quem tem força suficiente para sustentar seu corpo inteiro em dois dedos, para apanhar a fruta mais bonita. Depois provar um pouco e descobrir que o que era doce se acabou.
Findou assim, do mesmo modo que o azedume finda e a queimadura para de arder. Mas raríssimas vezes me proponho a cogitar tal coisa.
Só me lembro das sensações fugidias, como se tudo se transformasse em esponja. E por mais que a esprema, nunca seca totalmente. Como esponja, se seca, então penso que esqueço. Se fica retido, misturam-se a outros líquidos de similar destino, ou nem tanto, originando bolhas, formando um caleidoscópio. Cores que andam a bater nestas paredes de carne, osso e sentimento. O que por vezes, esqueço também.
Fugir é tentar esquecer. Mas nem sempre esquecer é fugir. Pode ser só esses azedumes misturando cores e asas com essas doçuras, que depois saem batendo como se fossem coisas tontas pelas paredes.

Esquecer? Ah, não esquece nunca! Pode ser que a mistura seja bem feita demais, por quaisquer receita pronta de não pensar, ou pelos dedos do acaso. Ou pode ser que as bolhas de tão frágeis serem, estourem ao roçar em algum prego, ou por algum toque descuidado de alguém. Mas, os resquícios ficam em algum canto. E aí é explosão de cores, como fogos de artifício que é incrível de se observar, mas que por vezes assusta e faz sofrer também.