quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Desembaraçar


Desembaraçar as veias da atrapalhadas da vida. Desembaraçar sua própria loucura, suas próprias asas, seus próprios ares. A costura da qual é constituído o desenho das nuvens, sua própria dor, seu puro ódio. Sua carência de ordem.
Esses vestígios de ilusão agarrados à bainha da saia, que parecem ter vida oscilando de encontro com ar. Folhas agarradas ao tecido, a esta pele que cobre todos esses órgãos, esse mundo. Ia percorrendo o caminho, deslizando por entre tudo, tentando costurar o dia, mas eram linhas demais...
Desembaraçar é frustrante. É arrancar folha por folha de uma árvore em sua grandeza e sabedorias primitivas. Elas voltam a nascer sempre. Verdes, cada vez mais verdes, fortes e em conversa direta com o sol. Tentar desembaraçar a vida é querer dar forma, organização.  Mas podar não adianta, as folhas continuarão a nascer como se nada lhes houvesse afetado alguma vez, por mais que alguma hora, sequem e caiam por si só.

Somos pedreiros que só sabemos operar com o concreto, e não com a inconcretude dos dias. Cheios de tijolos soltos, derrubados ou quebrados por qualquer vento. Deixa voar, vai junto, como abelha à procura de flor.