segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Do que não sei nomear


Parece que tudo que importa, vêm na forma deste crepúsculo que me atinge certeiro. E vem  como uma flecha. Nestas ocasiões, algo aqui se manifesta na mente e penso o quanto sou nada perto de certas coisas. Mas o quanto sou tudo também. Formada da mesma energia da qual saiu isso. Sou parte disso tudo, e isso me conforta e ilumina da maneira mais linda que possa haver.
E o que vem junto com isso, é o sentimento de algo bom se instalando.  Enquanto o alaranjado vai enegrecendo... Mas o que é algo bom? Esta solidão é. Me permite contemplar certas coisas que adentram minha alma. Esta que de tão povoada das coisas, às vezes precisa de um canto de silêncio, um quê de calma. Um pôr do sol também. Dessas coisas que se põem na gente quando escurece. Nestes pensamentos todos que compõem a noite.
Por um instante parece que tudo aqui se aquieta. A mansidão aparece e me sinto um passarinho de asas quebradas vez ou outra. E sou. Sou por ser do mundo. E é nestas horas que o universo me toma nas mãos e me embala. Como se fossemos o mesmo. Mas quando dou por isso é que sou.
Isso me remete ao real. Na psicanálise, o real é explicado pelo que é tão intangível a nós que não é sabido explicar, que escapa do simbólico, o que não é possível descrever com palavras. Isso é da ordem do real, por mais que me esforce, algo me escapa, as palavras se esvaem. Por mais que o que eu sinta tente transbordar por estas linhas. O que não se explica, sente. Ou transforma em arte. E toda arte não seria senão formas diversificadas de se fazer poesia?