sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Quero, logo existo.


Escapismos não imprimem em mim nenhuma mágoa. E mais, acho essa palavra tão linda... Só quero pegar o que em mim foge. Pertenço a eras que não me pertencem, mas nisso me dou.
Faltante me faço e me refaço, transitando por uma verdade ou outra. Por tantos rios calmos. Tantos mares intranquilos. Acho até que poderia mudar o pensar e jogar em seu lugar o querer, e jogar aos quatro cantos: “Quero, logo existo”.
Quero, e quero agora. Por mais que me faltem palavras para traduzir o que é querer. E elas sempre me faltam! Procuro-as por mania, e elas escondem-se, só de pirraça, birra. Quero todo o efêmero, só porque vai se esvair logo e é difícil de capturar.
As seivas de todas as árvores. Os poléns que saem grudados nas pernas das abelhas. Escrever a carvão nas paredes. Fazer pinturas rupestres, ilustrando o quão primitivo é este querer, que me tolhe. Me acolhe. Me amarra em sua cruz. Ilustrando o quão primitiva sou em mim.
Desdigo-me e me refaço a cada vontade, a cada novo plano. Ânsias, que me roem o estômago escancarando o vazio. Essa secura na garganta que me faz desejar um afogamento por aí, só pra ver se isso para.

Mas nunca para, não quero que pare. E não querer já é vontade. Quero, logo existo.