sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Dos janeiros


E de novo é janeiro. Mal posso acreditar em como é possível sobreviver a rotações assim, tão rápidas. Ilesos nem tanto, é verdade. Um tanto machucados às vezes, mas esquecemos quando a ferida dá sinais de cicatrização. Esquecemos tanta coisa. Só se sobrevive no esquecimento. Esquecer deve ser a mais saudável das tarefas.
Janeiro me espeta. Janeiro é aquele menino pirracento, que meche contigo até que se perca as estribeiras. E perco mesmo, me perco. É inquietação, é branco demais, e branco suja-se com a facilidade que não sabe de onde vem. E o branco daqui, se afeta nos mais profundos desejos de mudança. Prometo o mundo, e o mundo deve ser branco. Sujo-o. Este ano, tive o cuidado de não tentar prometer nada. Mas prometi não prometer e quebrei a corrente. E prometo várias coisas sim, porque é janeiro e já disse que janeiro me espeta.
E de novo é a mesma data tantas vezes repetida. O mesmo número, o mesmo mês. Outros anos que tem muito dos mesmos.  E hoje é o janeiro. Janeiros sempre me comovem, é transição. Parece que janeiro é mês de repensar o que anda atravessado aqui, ali, acolá. Ano novo, vida nova? Números, números...  Calendário novo, a soma de um e as exclamações. Acabou rápido, quase não acaba...

Janeiro entrou com lua, e eu, eu estava lá. Lua que talvez quisesse se esconder de seu próprio turbilhão. Quando o relógio apontou o outro dia, quando os desejos de bom ano vieram, eu estava era perdida mesmo. Perdida em tantos outros desejos, que aqui, faziam mais barulho que os fogos explodindo em cores e num rugido que sempre me incomoda o ouvido. Os desejos explodiam também. Das mais diferentes cores, era o boom. Sempre foi, manifestação inquieta e doida de querer o que não se pode, de querer o que não se tem. Faz mal passar assim? Aluada. Virada em devaneios. Tudo indica que passarei o ano em devaneios. Brindando com quem o tato alcança, e com o intangível, comigo. Sou devaneadora por decreto do universo e nada há de se fazer, por isso mesmo escrevo.